sábado, 25 de julho de 2015


Odebrecht e Andrade Gutierrez são denunciadas por corrupção

O Ministério Público Federal do Paraná (MPF-PR), que conduz a Operação Lava-Jato, denunciou à Justiça 22 pessoas, entre eles os presidentes da Odebrecht S.A., Marcelo Odebrecht, e da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, além de executivos dessas duas empreiteiras, as maiores do país. Os dois estão presos desde junho em Curitiba. Eles responderão na Justiça pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. Segundo os procuradores, Odebrecht e Andrade Gutierrez praticaram, juntas, atos de corrupção que somam R$ 632 milhões. A denúncia agora será analisada pelo juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal Criminal do Paraná. Caso seja aceita, todos se tornarão réus e aguardarão presos as sentenças.

LISTA DE DENUNCIADOS

Entre os denunciados há, além de executivos e dirigentes das duas empreiteiras, funcionários da Petrobras e operadores do pagamento de propina. O Ministério Público Federal (MPF) já havia pedido a condenação judicial do ex-diretor Internacional da Petrobras Nestor Cerveró, do lobista Fernando Baiano, do consultor Júlio Camargo, do doleiro Alberto Youssef pelos crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. O MPF também pede para que os denunciados devolvam mais de R$ 156 milhões.
Em entrevista concedida em Curitiba, o procurador Deltan Dallagnol, mostrou o caminho do dinheiro desde contas que seriam de propriedade das construtoras Odebrecht e Andrade Gutierrez até os operadores do esquema e agentes públicos e políticos.
- São oferecidas denúncias por organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção. Além desses executivos, estão se tornando réus, se forem recebidas as denúncias, funcionários da Petrobras e operadores de lavagem de dinheiro - afirmou Dallagnol.
Na entrevista, a força-tarefa chamou atenção para o sofisticado esquema das duas empreiteiras, com contas secretas e empresas offshore.

Deltan Dallagnol, um dos procuradores que compõe na força-tarefa da Lava-Jato explica a denúncia

O Ministério Público Federal (MPF) descobriu que o Grupo Odebrecht controlava seis contas bancárias na Suíça usadas para fazer repasses de dinheiro a cinco réus da Operação Lava-Jato, todos ex-funcionários da Petrobras: os ex-diretores Paulo Roberto Costa, Renato Duque, Nestor Cerveró e Jorge Luiz Zelada e o ex-gerente Pedro Barusco. Entre 2006 e 2011, essas contas fizeram depósitos de quase US$ 17 milhões para os cinco então funcionários da estatal, com transferências diretas ou por meio de off shores em outros países. As movimentações financeiras foram apresentadas pelo juiz Sérgio Moro como justificativa para um novo decreto de prisão preventiva contra o presidente do grupo, Marcelo Odebrecht, e quatro executivos ligados à companhia.
No despacho, Moro escreveu que há prova da materialidade de “crimes de cartel, ajuste de licitações, corrupção e lavagem de dinheiro no âmbito do esquema criminoso da Petrobrás”. O juiz explicou porque cada um dos quatro executivos ligados à companhia devem ficar detidos: Márcio Farias é apontado como participante das reuniões do cartel de empreiteiras; Rogério Araújo foi citado na investigação como responsável por fazer o contato com Bernardo Freiburghaus, responsável por administrar as contas na Suíça; e Alexandrino de Alencar foi citado em depoimento como responsável por combinar propina.
Quanto a Marcelo, ele aparece em uma troca de e-mails em que é discutido “sobrepreço” em um contrato é apontado pela investigação como conhecedor de todo o esquema de corrupção, que envolvia mais de uma empresa do grupo. O juiz voltou a citar, no despacho, as anotações do celular do empresário, que faz referência a atrapalhar as investigações, de acordo com análise da Polícia Federal.
O juiz afirma, ainda, que a prisão preventiva dos acusados é uma forma de impedir que novos delitos ocorram. Na opinião dele, a empresa não se aplicou na tentativa de apurar internamente os casos de corrupção. Diz o despacho: a “Operação Lava-Jato deveria servir para as empreiteiras envolvidas como um ‘momento de clareza’, levando-as a renunciar ao emprego de crimes para impulsionar os seus negócios”.
O MPF pede que o presidente da Odebrecht responda em pelo menos seis frentes de acusações. Pesam sobre o presidente da Odebrecht e seus executivos e ex-executivos indícios de crimes: nos contratos de obras de construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj); nas obras da Sede da Petrobrás em Vitória (ES); nos contratos de compra de nafta pela petroquímica Braskem (controlada pela empreiteira em sociedade com a estatal); nos contratos de navios-sonda para exploração de petróleo em alto mar, com a empresa Sete Brasil (criada pela Petrobrás); pelo uso de doleiros e offshores, em operações de dólar-cabo e movimentações em contas secretas; e por obstaculização e estratégia de confronto às investigações da Lava Jato.

Os presidentes da Odebrecht — Marcelo Odebrecht — e da Andrade Gutierrez — Otávio Azevedo

O juiz Sérgio Moro autorizou a transferência dos presidentes da Odebrecht e da Andrade Gutierrez e de outros seis executivos dessas empresas para o Complexo Médico Penal do Paraná, em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. Eles estão detidos desde 19 de junho na carceragem da Polícia Federal (PF), na capital paranaense. A transferência pode ser feita a partir de sábado (25.jul.2015).






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