Chuvas matam 3 no Rio Grande do Sul e causam estragos
RIO GRANDE DO SUL — As fortes chuvas que atingem o Rio Grande do Sul
desde a noite de quarta-feira, 14.out.2015, causaram três mortes e
estragos em mais de 60 cidades. Em Porto Alegre, um homem foi arrastado —
e morreu — pela correnteza de um arroio no bairro Sarandi, zona norte
da capital gaúcha. No município de Rio Pardo, região central do Estado,
uma mulher de 21 anos e o filho de 3 morreram após a queda de uma árvore
sobre sua casa.
O Centro Integrado de Comando (Ceic) da prefeitura de Porto Alegre
registrou ventos com mais de 80 km/h. Em razão dos estragos causados
pelo temporal, o Hospital de Clínicas de Porto Alegre suspendeu as
consultas ambulatoriais na manhã desta quinta-feira, 15.out.2015. A
instituição registrou quebra de vidros, alagamentos em ambulatórios,
queda do sistema de informatização e falta de luz.
Entre a madrugada de quarta-feira (14.out.2015) e a manhã desta
quinta-feira (15.out.2015), ao menos dez pessoas procuraram o hospital
por causa dos ferimentos provocados pelo desabamento de parte do telhado
da quadra da Imperadores do Samba, localizada na zona sul da cidade. No
momento do acidente, cerca de 150 pessoas estavam na local.
Por volta das 5 horas 30 minutos desta quinta-feira (15.out.2015), a
cidade de Santa Maria, região central do Estado, registrou rajadas de
vento que chegaram a 90 km/h. Os dados foram divulgados pelo setor de
meteorologia. A tempestade derrubou árvores, postes de luz e destelhou
dezenas de residências.
Porto Alegre ainda registrava na manhã desta quinta-feira (15.out.2015)
vários pontos de alagamentos nas ruas e principais avenidas. Dezenas de
postes de luz e árvores caíram por causa da ventania e bloqueiam
diversas ruas e avenidas importantes na cidade.
A previsão do tempo, segundo os meteorologistas, é de que mais
tempestades com fortes ventos, chuvas e granizos atinjam o Rio Grande do
Sul entre esta quinta-feira (15.out.2015) e sexta-feira (16.out.2015).
Mãe e filho pequeno morrem durante temporal em Rio Pardo
A dona de casa Katiuce Severo de Oliveira, 21 anos, estava sozinha com o
filho Eduardo Severo, 3 anos, enquanto o temporal despejava pedras
de gelo e rajadas de vento sobre a casa de madeira em que se encontravam
no município de Rio Pardo, na noite de quarta-feira (14.out.2015).
Katiuce e Eduardo em foto do Natal de 2013 |
Um dos cinco irmãos de Katiuce bateu à porta e pediu que todos se
refugiassem na casa da mãe, localizada em um ponto mais baixo do mesmo
terreno no bairro Jardim Boa Vista. Katiuce preferiu ficar. Momentos
depois de ter tentado convencer a irmã a ficar com o restante da
família, por volta das 22 horas, o irmão de Katiuce conta que ouviu um
estrondo. Quando olhou para o local onde costumava ficar a casa da irmã,
viu apenas uma árvore caída e destroços espalhados por todos os lados —
um pinheiro araucária desabou sobre ela e o menino —. Correu para lá a
tempo de encontrar Katiuce ainda viva, com o tronco de cerca de 40
centímetros de diâmetro sobre o seu peito. Ela segurava um celular
ligado para indicar sua localização em meio à escuridão.
— Cuida do meu filho — pediu a dona de casa.
Mãe e filho dividiam a mesma cama. Não havia, porém, sinal do menino
entre os destroços, nem barulho de choro. Somente quando os bombeiros
chegaram ao local, perto das 23 horas, conseguiram localizar Eduardo, já
morto, caído no chão próximo à cabeceira da cama. Katiuce também havia
morrido. Tiveram de serrar o tronco para retirar a vítima debaixo dele.
Na manhã desta quinta-feira, o terreno onde ficava a casa ainda exibia
os restos da árvore serrada pelos bombeiros, uma bicicleta de Eduardo,
restos das paredes de madeira e roupas. Somente o banheiro, feito de
material, resistiu em pé. O município de Rio Pardo contabilizava cerca
de 5 mil casas atingidas e 600 famílias cadastradas para receber lonas.
Casa onde mulher e criança morreram foi atingida por árvore durante vendaval e ficou completamente destruída |
Bombeiros encontram corpo de jovem desaparecido em arroio na Capital
Foi encontrado por volta das 10 horas o corpo de Gustavo de Oliveira, 21
anos, no Arroio do Dique, no bairro Sarandi, zona norte de Porto Alegre
— Gustavo teria tentado atravessar o curso d'água no bairro Sarandi
quando caiu —. Apesar das dificuldades de acesso, integrantes do Grupo
de Busca e Salvamento do Corpo de Bombeiros mergulharam no arroio e
localizaram a vítima. De acordo com o sargento Gérson Barth, o corpo
estava nas imediações da Rua Parque Farroupilha, na Vila Asa Branca,
onde ele havia desaparecido.
Durante a madrugada de quinta-feira (15.out.2015), moradores da Rua
Farroupilha relataram aos Bombeiros que Gustavo Oliveira teria tentado
atravessar o valão e teria caído. O acidente teria ocorrido durante um
período de falta de luz, o que fez com que bombas de sucção de água não
estivessem funcionando.
Bombeiros encontram corpo de jovem desaparecido |
Hospital de Clínicas pede que pacientes não procurem a emergência
Temporal danificou estrutura do prédio, que ficou sem luz e sistema de informática
Com janelas quebradas e alagamentos de salas e corredores devido ao
temporal que atingiu Porto Alegre na última madrugada, o Hospital de
Clínicas de Porto Alegre montou uma operação especial para conserto dos
estragos e atendimento de pacientes nas próximas 48 horas. Equipamentos e
computadores foram danificados. O edifício ficou sem luz e o sistema
informatizado saiu do ar, o que forçou enfermeiras e médicos a
trabalharem com prescrições em papel. A principal orientação do Clínicas
é que os pacientes evitem procurar a emergência até sábado
(17.out.2015).
— A situação é bem complexa. Por sorte a gente estava com pacientes em
recuperação, que já tinham saído das salas cirúrgicas — disse a
supervisora de enfermagem Karen Gandolfi.
Com a inutilização temporária de alguns leitos, inclusive no Centro de
Tratamento Intensivo (CTI), pacientes tiveram que ser remanejados. Como o
hospital já opera na sua capacidade máxima, o recebimento de novos
pacientes fica prejudicado até o reparo dos danos. No Ambulatório, serão
priorizados os que têm consulta previamente agendada. Por causa dos
estragos, todas as consultas marcadas para quinta-feira (15.out.2015)
foram canceladas, assim como as cirurgias não urgentes.
— A gente nunca fecha a porta, mas vamos priorizar os casos de urgência, graves — informa Karen.
Pacientes que não compareceram podem remarcar suas consultas pelo telefone (51) 3359-8311.
Meteorologia alerta para risco de novos temporais com ventania e granizo
O temporal que castiga o Rio Grande do Sul desde a noite de quarta-feira
(14.out.2015) só deve amenizar na sexta-feira (16.out.2015), de acordo
com a previsão da Climatempo. Ainda há riscos de ventania, granizo e
grandes precipitações. Como o solo está úmido devido à sequência de dias
chuvosos, há um alerta para deslizamentos e alagamentos. Na manhã de
quinta-feira (15.out.2015), foram registradas rajadas de vento de 94
km/h no aeroporto Salgado Filho.
— O quadro não é nada animador. O alerta segue para todo o Estado. A
previsão é de um festival de problemas, com grandes volumes acumulados,
fortes rajadas de vento e raios em praticamente todo o Rio Grande do Sul
— explica o meteorologista César Soares, da Climatempo.
As áreas mais complicadas são Centro, Noroeste e Norte. A Região
Metropolitana pode ter pancadas intensas, e a tendência é de que a chuva
perca força gradativamente ao longo do dia no Sul. No restante do
Estado, a instabilidade permanece.
— Na sexta (16.out.2015), a chuva diminui. Porém, temos de lembrar que qualquer precipitação é problema — salienta Soares.
O alento virá no fim de semana. No sábado (17.out.2015), estão previstas
chuvas rápidas ao longo do dia, principalmente no Norte e Noroeste, e
no domingo (18.out.2015) o tempo fica firme, com sol forte e
temperaturas amenas. Mas chuva retorna ao Estado na segunda-feira
(19.out.2015).
Alagamento no bairro Humaitá próximo Arena do Grêmio |
Alagamento prejudica trânsito |
Telhado da Imperadores do Samba, na Avenida Padre Cacique, caiu devido ao temporal |
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