segunda-feira, 18 de julho de 2011

A economia dos EUA

A autorização
Vence em 15 dias o prazo de que dispõe o Congresso dos EUA para decidir se autoriza ou não a Casa Branca a elevar o teto da dívida americana.
Até o dia 2 de agosto, o Congresso norte-americano tem que autorizar o aumento do teto de endividamento, que está em US$ 14 trilhões, número inimaginável. Dá cerca de sete vezes tudo o que o Brasil produz por ano de bens e serviços.
Sem a autorização, o governo quebra. Não poderia mandar, por exemplo, o cheque para o velhinho aposentado de Utah ou o dinheiro, bem mais suculento, para os investidores chineses que compram aos cachos papéis do tesouro norte-americano. Nem mesmo para o Brasil, terceiro maior comprador da dívida dos EUA.
A contrapartida da autorização terá que ser um ajuste fiscal de cerca de US$ 4 trilhões (dois Brasis). Ajuste fiscal, em qualquer lugar do mundo, compõe-se de duas fatias não necessariamente iguais: corte de gastos e aumento das receitas do governo.

O corte de gastos e o aumento de imposto
Obama, em abril, propunha US$ 1,5 trilhão de aumento de impostos (em 10 anos). Ou seja, 37,5% do ajuste viria do aumento de receitas; os dois terços restantes do corte de gastos. Os republicanos refugaram.
A mais recente proposta do presidente, já em julho, passou a ser de US$ 750 bilhões. Ou seja, menos de 20% do ajuste viria do aumento de impostos e mais de 80% do corte de gastos. Nem assim os republicanos estão aceitando.
Não é que Obama queira, por exemplo, aumentar o imposto sobre valor agregado, que machuca todos os contribuintes, independentemente de sua renda. Não. Acha apenas, como disse, que ‘milionários e bilionários podem fazer um pouco mais’, que é possível fechar ‘os buracos corporativos de forma que as companhias de petróleo não consigam desnecessárias isenções fiscais ou que os donos de jatinhos corporativos delas se beneficiem’. Enfim, nada que não seja o mais clássico preceito tributário segundo o qual paga mais quem pode mais.
Normalmente, os republicanos discutiriam com os democratas até que as duas partes se convencessem de que nada mais poderiam extrair da outra. O acordo, então, sairia, na undécima hora, mas sairia.
Entretanto, com o surgimento do Tea Party, que quer zero de aumento de impostos e, de quebra, aleijar um presidente que consideram "socialista", o acordo pode não sair. Torna-se por isso possível o cenário de um eventual calote. O que afetaria o mundo e o Brasil. No ranking dos compradores do "papelório" da dívida do tesouro americano, o Brasil ocupa a terceira posição.
E como ficaria a economia norte-americana após um eventual calote? Segundo o "Financial Times" e Steve Wieting, analista do Citigroup, equivaleria a "cometer suicídio", ou seja, ARRUINAR-SE.

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