“Digam xiiiiis!”, grita o fotógrafo improvisado enquanto tenta enquadrar na mesma telinha da câmera digital um grupo de cinco inquietos amigos e uma gigantesca torre. O fotógrafo nem precisa decidir quem será o ator principal do retrato. O foco automático da máquina dá prioridade para os sorrisos no primeiro plano. E o monumento atrás fica irremediavelmente embaçado para toda a posteridade, certo?
Não mais.
Classificada como câmera de campo luminoso, o novo equipamento captura todos os raios de luz em todas as direções de uma mesma imagem. Essa informação luminosa permite, depois de tirada a foto, focalizar qualquer objeto existente no ambiente.
Com um simples clique do mouse, como você pode ver nas fotos, o foco pode mudar de um objeto para outro. Das flores brancas no primeiro plano, para as montanhas ao fundo. Com dois cliques, ainda é possível dar um zoom na imagem, sem que se perca nitidez.
De maneira bem simplificada, o sistema funciona a partir do posicionamento de um conjunto de minúsculas lentes entre a lente principal e o sensor de imagem. De acordo com a Lytro, a tecnologia também permite que as fotografias sejam feitas em condições de pouca luz sem o uso de flash.
Clique em qualquer elemento das fotos abaixo para mudar o foco da imagem e ver como funciona a nova câmera da Lytro:
“Clique já e focalize depois”, diz o lema da Lytro.
Ren Ng, fundador e CEO da Lytro, começou a pesquisar a fotografia de campo luminoso na Universidade Stanford, na Califórnia, nos anos 90. No início, eram necessárias 100 câmeras e um poderoso processador para conseguir esse efeito. Hoje, segundo Ng, um novo tipo de sensor permite fazer isso com uma única câmera, pequena, fácil de usar e, por não ter mecanismo de foco, mais rápida do que as máquinas tradicionais.O que significa que capturar o momento perfeito, mesmo quando o seu animal de estimação insiste em não parar quieto, está prestes a se tornar uma tarefa fácil.
O resultado das pesquisas impressionou os investidores e a Lytro levantou nos últimos anos 50 milhões de dólares em capital para o projeto, ainda em desenvolvimento. A parte mais difícil tem sido aprimorar um software capaz de processar as imagens. Para coordenar essa tarefa, a empresa recrutou nada menos que o veterano Kurt Akeley, um dos fundadores da Silicon Graphics, empresa americana que, nos anos 80, foi pioneira no desenvolvimento da computação gráfica.
No site da Lytro é possível cadastrar um endereço de e-mail para ser avisado quando a tecnologia estiver disponível no mercado. A empresa espera comercializar o primeiro modelo da câmera ainda este ano. E, daqui a não muito tempo, usar a tecnologia de campo luminoso em equipamentos de vídeo, médicos e científicos.
Clique em qualquer elemento das fotos abaixo para mudar o foco da imagem e ver como funciona a nova câmera da Lytro:
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