A insatisfação com a morosidade e com a falta de transparência do governo interino do Egito catalisou novos protestos contra o regime militar, levando de volta milhares de manifestantes à já lendária Praça Tahrir, no centro do Cairo, ao longo da semana.Mas, ao contrário do levante popular de janeiro, quando os gritos de repúdio ecoavam uníssonos contra o ditador Hosni Mubarak, sob as tendas da Tahrir de hoje sobram divergências sobre como instaurar um regime democrático no país de 82 milhões de habitantes.
Se liberdade de expressão é algo natural na democracia que os egípcios tanto almejam, para toda uma geração que sempre viveu sob a ditadura, o debate minucioso está se transformando em inimigo.
Repletos de sonhos e projetos, mas sem saber como lidar com os militares, e ainda esbarrando nos entraves burocráticos para ingressar na realpolitik, os jovens da Tahrir se sentem à deriva num mar de propostas. E temem perder, ainda, o impulso da revolução, permitindo que os 19 militares da junta se perpetuem no poder.
Os projetos são muitos. Um deles, discutido nos últimos dias, é a criação de um conselho presidencial civil, com integrantes de todas as facções opositoras, para substituir o Exército e governar até as eleições.
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