Entre as declarações do diretor do Dnit que têm deixado o Planalto com uma espécie de tensão pré-Pagot estão as insinuações de que todas as obras tocadas pela estatal eram aprovadas antes pelo Ministério do Planejamento, cujo titular é o hoje ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, um dos homens de confiança da presidente Dilma Rousseff.
Diante do receio do que poderá dizer Pagot, a presidente Dilma Rousseff tinha dúvidas sobre quando poderá nomear o novo ministro dos Transportes. Ela quer efetivar o interino, Paulo Sérgio Passos, e até já tem alguns acenos do PR para que faça isso. Mas teme que Pagot fale alguma coisa a respeito de seu preferido nas audiências que terá no Senado e na Câmara, o que poderá provocar constrangimentos e aumentar a crise nos transportes.
Outra preocupação diz respeito à própria estrutura do Dnit. Pagot tem afirmado que nada do que o Dnit fazia era fruto de uma decisão solitária, mas de uma aprovação da diretoria colegiada. E
Caron é filiado ao PT do Rio Grande do Sul desde 1985. Trabalhou com Dilma Rousseff em Porto Alegre e foi posto no Dnit pelo PT.
Quando a presidente da República decidiu afastar a cúpula do Ministério dos Transportes, entre eles Luiz Antonio Pagot, chegou-se a falar no nome de Caron para substituir o diretor-geral. Mas, diante da reação do PR, partido que dá sustentação a Pagot, Dilma recuou e desistiu de insistir na nomeação do petista para o Dnit.
De acordo com informação de bastidores do governo, a esperança do Planalto era de que o senador Blairo Maggi (PR-MT) aceitasse o convite para ser o ministro dos Transportes, em substituição a Alfredo Nascimento (PR-AM), que não resistiu no cargo após denúncias de cobrança de propina divulgadas no fim de semana. Maggi é padrinho de Pagot e, uma vez no ministério, poderia aconselhar seu afilhado a ficar de boca fechada.
Acontece que Blairo Maggi recusou o convite para entrar no governo de Dilma Rousseff. Maggi está magoado com os ministros Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) e Ideli Salvatti (Relações Institucionais), por considerar que foram desleais em relação ao PR, a Pagot e a ele próprio quando a crise no setor de Transportes estourou. Para Maggi, os ministros preferiram condenar Pagot, sem aguardar sua primeira defesa.
PS: Homem do PT do Rio Grande do Sul e ligadíssimo ao deputado petista Paulo Pimenta e ao governador Tarso Genro, o gaúcho Hideraldo Caron entrou na alça
"No Dnit só se aprova por unanimidade. É claro que cada um é responsável por sua área. A responsabilidade pelas obras é do Hideraldo. Como ele é diretor de Infraestrutura Rodoviária, é óbvio que tem um volume maior concentrado", disse Pagot, ressalvando que "não é Hideraldo que toma as decisões".
Além de Caron, o ex-diretor Geral do Dnit, Luiz Antonio Pagot, acusou também os ministros Paulo bernardo (Planejamento) e Gleise Hofmann (Casa Civil), mulher de Paulo. Ele disse que as obras do Paraná só saíam por interferência do casal.
Em nota, Paulo Bernardo disse que "obras previstas no Orçamento Geral da União passam pelo Planejamento sem que isso implique qualquer envolvimento do titular na execução dos projetos".
Hoje à frente do Ministério dos Transportes, o secretário-executivo da pasta, Paulo Sérgio Passos, não será poupado dos ataques do PR.
Segundo interlocutores do ex-ministro Nascimento, Passos estava à frente do ministério nos seis meses finais de 2010, sendo corresponsável pela elevação dos valores de contratos recentes.
Reunido com líderes do PR, Nascimento se queixou de Passos por não o ter defendido quando Dilma fez críticas ao ministério.
Os petistas não temem só a reação do PR, mas de toda a base à demissão do ex-ministro.
Para o PT, um sinal foi emitido pelo PMDB do Senado, que incluiu na pauta da semana que vem um pedido de convocação de Expedito Veloso (PT), ex-diretor do Banco do Brasil envolvido no escândalo dos aloprados.
Nenhum comentário:
Postar um comentário