sexta-feira, 23 de janeiro de 2015


Rei da Arábia Saudita, Abdullah morre aos 90 anos
Meio-irmão de Abdullah, príncipe Salman, será nomeado rei

o rei Abdullah da Arábia Saudita

Morreu, aos 90 anos, o rei Abdullah da Arábia Saudita, em Riad, como informou a TV estatal. Ele estava internado há semanas com uma infecção nos pulmões. Abdullah será sucedido no trono saudita por seu meio-irmão, o príncipe Salman, de 79 anos, que já havia assumido responsabilidades administrativas desde que o rei ficara doente – Abdullah estava hospitalizado desde dezembro do ano passado, com pneumonia.
O monarca era considerado um poderoso aliado dos EUA que alinhou-se a Washington na luta contra a Al-Qaeda e procurou modernizar a ultraconservadora monarquia muçulmana. O rei estava internado desde o dia 31.dez.2014 para realizar alguns exames, segundo a agência de notícias oficial.
Em março, ele foi visto no acampamento real em Rawdat Khuraim, a cerca de 100 quilômetros de Riad, respirando com a ajuda de tubos de oxigênio para receber o presidente dos EUA, Barack Obama. Fotografias oficiais do rei o mostravam em uma cadeira de rodas.
Rei da Arábia Saudita desde 2006, sua saúde  tem sido acompanhada de perto, já que qualquer mudança na gestão do país poderia impactar na estabilidade de um dos maiores produtores mundiais de petróleo. A Arábia Saudita é uma monarquia absolutista sem Parlamento eleito. O rei tem poderes únicos para criar leis e nomear ministros. Abdullah assumiu formalmente o poder em 2005, mas na prática governava o país desde 1995, quando seu irmão, o rei Fahd, sofreu um AVC (acidente vascular cerebral). A monarquia absoluta chefiada pela sua família governa o território saudita desde 1932.
Devido a problemas na coluna, o rei Abdullah teria passado por uma cirurgia em outubro de 2011 e em novembro de 2012. Em 2010, ele também passou por duas cirurgias em Nova York.

Realizações
Abdullah teve como prioridade usar o peso político de seu país, o maior exportador de petróleo do mundo, para conter os avanços do Irã, país persa de maioria muçulmana xiita – a monarquia saudita é sunita, outro ramo do islamismo.
O rei também pressionou o governo do presidente dos EUA, Barack Obama, a adotar medidas mais duras contra os iranianos e a apoiar mais assertivamente os rebeldes sunitas que lutavam para derrubar o ditador da Síria, Bashar al-Assad – no que não foi bem-sucedido.
 Abdullah também se posicionou fortemente contra as mudanças políticas nos países em que ocorreu, a partir de 2011, a chamada Primavera Árabe – como Egito, Tunísia e Líbia. O rei via as revoltas como uma ameaça a seu próprio reino e à estabilidade da região.
Depois dos levantes de 2011, a monarquia apertou o cerco contra dissidentes. Forças de segurança esmagaram manifestações de rua promovidas pela minoria xiita. Dezenas de ativistas foram detidos, e muitos deles julgados sob a acusação de terrorismo.
Ao mesmo tempo, o rei procurou fazer algumas reformas sem se desgastar com os clérigos ultraconservadores do país. Ele aceitou pela primeira vez a presença de mulheres na Shura, conselho não eleito que assessora a monarquia, e prometeu permitir que mulheres votem e concorram nas eleições de conselhos municipais previstas para este ano – as primeiras realizadas pelo país.
Ele também abriu, em 2009, uma universidade em que homens e mulheres compartilham salas de aula. Nesse mesmo ano, nomeou a primeira vice-ministra na história do governo saudita.

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