segunda-feira, 19 de janeiro de 2015


Pressionado, Sartori recua e cancela aumento 
para ele e para vice-governador
Governador do Rio Grande do Sul disse que ouviu ‘a voz dos gaúchos’

José Ivo Sartori governador do Rio Grande do Sul

Alegando “ouvir a voz dos gaúchos”, o governador do Rio Grande do Sul José Ivo Sartori (PMDB) anunciou que irá renunciar ao aumento salarial de 45,9% sancionado por ele na última sexta-feira (16.jan.2015). O ato abrange também o salário do vice-governador, José Paulo Cairoli (PSD).
Durante o final de semana, Sartori foi alvo de críticas duras por ter sancionado o aumento em meio a uma grave crise financeira no Estado. No dia 5 de janeiro, o governo ditou um decreto suspendendo por 180 dias os pagamentos de fornecedores e prestados de serviço do Estado, além de cortar horas extras, promoções e viagens de servidores.
O aumento elevou o subsídio do governador de R$ 17.347,14 para R$ 25.322,25 – mesmo salário de um deputado estadual. O aumento do vice havia sido percentualmente maior, já que equiparou os vencimentos ao salário de R$ 18.991,69 dos secretários estaduais. O subsídio anterior era de R$ 11.564,76.
Segundo Sartori, a medida que prevê a devolução já foi assinada e deverá ser publicada no Diário Oficial desta terça-feira (20.jan.2015). O projeto de aumento havia sido aprovado pela Assembleia no final do ano passado e também prevê aumento para o legislativo e para o judiciário, num impacto de R$ 123 milhões ao ano para os cofres públicos.
Apesar de irrisória para as finanças do Estado, a economia de R$ 200.226,52 ao ano com o cancelamento do reajuste do governador e do vice foi classificada por Sartori como uma “sinalização” para as dificuldades financeiras “de uma realidade que não foi gerada por nós”.
- Devo dizer que a opinião pública reagiu e levei muito em consideração as pessoas com quem eu convivo, com quem dialogo permanentemente, e que conhecem as dificuldades financeiras do Estado. Quero deixar bem claro que não tenho receio, nunca tive, de rever posições e muito menos de não tomar atitudes que reconheçam essa situação.
E completou:
- Sou uma pessoa como qualquer outra, que procura cumprir seu papel. E acho que mais erra é quem, às vezes, não tem humildade de eventualmente voltar atrás – declarou o governador.
Na sexta-feira (16.jan.2015), Sartori havia declarado que não considerava o reajuste aprovado na Assembleia um aumento salarial, mas apenas atualização com base na inflação do período. O último reajuste no salário do governador havia sido em agosto de 2008. Aliados do governador também disseram que vetar o aumento seria demagogia.
Sartori não explicou de que forma vai viabilizar a devolução de salário, já que a lei foi sancionada e não pode ser suspensa – nem os artigos que preveem os aumentos do Executivo. Mas garantiu que a medida valerá por prazo indeterminado, “para não suscitar nenhuma especulação, nenhuma outra dúvida em relação a isso”.
- Vamos encaminhar esse ato único e pessoal para a Secretaria da Fazenda e para a Casa Civil, que vão encontrar o melhor caminho para resolver isso – disse.
Não está descartada a possibilidade de que o governador e o vice doem os valores excedentes dos salários a instituições de caridade, já que o Tesouro estadual não aceita reembolso de valores por parte de servidores públicos.
Os deputados Tiago Simon (PMDB) e Marcel Van Hattem (PP) anunciaram que também vão abrir mão dos aumentos em solidariedade ao governador.
- Não é justo cobrar sacrifício apenas da sociedade – resumiu Van Hattem.

Nenhum comentário:

Postar um comentário