segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Projeção de analistas para inflação em 2011 aumenta pela terceira semana seguida.
Será que os juros deveriam ter baixado tanto?

Presidente do BC - Alexandre Tombini
O governo chiou bastante diante das informações de que exerceu forte pressão política sobre o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central para que baixasse a taxa básica de juros em sua reunião da quarta-feira passada, 31 de agosto.
As evidências de que essas pressões ocorreram, porém, foram muitas. Ninguém duvida de que tenha havido isso. O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, um técnico de carreira, teria menos condições de resistir a esse tipo de pressão de que seu antecessor, Henrique Meirelles, um ex-banqueiro enfronhado na política e que mereceu a confiança total do então presidente Lula.
E agora os fatos estão começando a mostrar que a redução de 0,50 ponto percentual — quando se esperava, no mínimo, a manutenção da taxa nos 12,50% em que se situava — pode, mesmo, ter sido precipitada, diante das evidências de que a inflação continua a ameaçar a economia.
Vejam bem a previsão de analistas constante do boletim Focus do Banco Central, um levantamento das previsões de cerca de 90 bancos e empresas não-financeiras para a economia brasileira, publicado toda segunda-feira, em geral no fim da tarde.
A previsão média de analistas do mercado financeiro para a inflação oficial deste ano — ou seja, quanto atingirá o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) — subiu pela terceira semana seguida, de 6,31% para 6,38%. Para o ano que vem, a estimativa também se elevou, de 5,20% para 5,32%.
As projeções para o IPCA neste ano e no próximo estão, portanto, acima do centro da meta de inflação de 4,5%, mas ainda dentro — não se sabe por quanto tempo — do teto de 6,5%.
Também se elevaram as previsões do Focus para o Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe), que passou de 5,59% para 5,68%, este ano, e de 4,77% para 5%, em 2012. Outros diferentes índices de inflação igualmente subiram.
Só apresenta tendência de queda a médio prazo, na opinião dessa quase centena de analistas, a média dos preços administrados — ou seja, os cobrados por serviços de empresas públicas que o governo administra diretamente ou que monitora, como energia elétrica, telefonia, combustíveis, remédios, água e saneamento, educação ou transportes coletivos –, que permanece, tal como no relatório anterior, com uma elevação em 5,35% para 2011, baixando para 4,50%, no próximo ano.

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