segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Homenagem de políticos ao general Golbery do Couto e Silva, um dos principais nomes da ditadura militar.

O centenário de nascimento do general Golbery do Couto e Silva (1911-1987), no último dia 21 de agosto, foi lembrado pela Prefeitura de Rio Grande (a 311 quilômetros de Porto Alegre), onde ele nasceu, com uma cerimônia e um projeto de monumento na praça central. O prefeito Fábio Branco (PMDB) disse, na ocasião, ao lado de oficiais militares, que Golbery prestou "muitos serviços" à terra natal. Só dois dos 13 vereadores da cidade se opuseram à homenagem. O general, que morreu em 1987, foi um dos principais articuladores do golpe de 1964 e o responsável pela criação do SNI (Serviço Nacional de Informações), tendo comandado o órgão durante o governo Castello Branco (1964-1967). Mais tarde, foi ministro-chefe da Casa Civil do presidente Ernesto Geisel (1974-1979), quando articulou a distensão "lenta, gradual e segura" da ditadura. Permaneceu no cargo no início do governo João Baptista Figueiredo, mas pediu demissão em 1981. Depois, apoiou a candidatura de Paulo Maluf à Presidência.


PS: Dom Paulo elogia o general Golbery
Dom Paulo Evaristo Arns foi o representante mais importante da ala progressista da Igreja Católica brasileira. Ajudou inúmeros perseguidos políticos durante o regime militar e denunciou a tortura. Em seus anos como arcebispo de São Paulo, manteve o hábito de anotar os detalhes das conversas que teve com políticos, militares, presos políticos e líderes religiosos. Suas recordações e essas anotações foram o ponto de partida para a autobiografia Da Esperança à Utopia – Testemunho de uma Vida (editora Sextante; 480 páginas). A grande surpresa do livro é a revelação da simpatia do arcebispo por um dos personagens mais emblemáticos do período militar, o general Golbery do Couto e Silva. O ministro da Casa Civil do presidente Ernesto Geisel e um dos cérebros da distensão do regime militar é descrito como "muito inteligente, informado, curioso e com uma conversa informal agradabilíssima". Para o arcebispo, Golbery "esteve presente nas bases do golpe militar, mas também ajudou a preparar um final menos desastroso do que temíamos para a terrível ditadura que sofremos".

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