PS: Dom Paulo elogia o general Golbery
Dom Paulo Evaristo Arns foi o representante mais importante da ala progressista da Igreja Católica brasileira. Ajudou inúmeros perseguidos políticos durante o regime militar e denunciou a tortura. Em seus anos como arcebispo de São Paulo, manteve o hábito de anotar os detalhes das conversas que teve com políticos, militares, presos políticos e líderes religiosos. Suas recordações e essas anotações foram o ponto de partida para a autobiografia Da Esperança à Utopia – Testemunho de uma Vida (editora Sextante; 480 páginas). A grande surpresa do livro é a revelação da simpatia do arcebispo por um dos personagens mais emblemáticos do período militar, o general Golbery do Couto e Silva. O ministro da Casa Civil do presidente Ernesto Geisel e um dos cérebros da distensão do regime militar é descrito como "muito inteligente, informado, curioso e com uma conversa informal agradabilíssima". Para o arcebispo, Golbery "esteve presente nas bases do golpe militar, mas também ajudou a preparar um final menos desastroso do que temíamos para a terrível ditadura que sofremos".
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