terça-feira, 25 de outubro de 2016

O ‘senadorzeco’ Renan Calheiros



Renan Calheiros
Tido como um político calculista, Renan Calheiros passou a viver perigosamente. Enrolado em oito inquéritos da Lava Jato, o senador forneceu a colegas que também enfrentam apuros penais um serviço de desmonte de grampos e escutas ambientais. Fez isso deformando o papel da Polícia do Senado. E espetou a conta no bolso do contribuinte. Apanhado em suas exorbitâncias, Renan resolveu dar aula de democracia.
Ensinou que “a submissão ao modelo democrático não implica em comportamentos passivos diante de excessos cometidos por outros poderes”. Numa apoteose do ilógico político que caracteriza a inconsequência reinante no Congresso, Renan explicou: “um juizeco de primeira instância não pode, a qualquer momento, atentar contra um poder”. Um “chefete de polícia” travestido de ministro da Justiça não deve prestigiar uma Polícia Federal que cumpre ordem judicial que desconsidera a invulnerabilidade do Senado.
Todos estranharam o comportamento de Renan. Até os seus amigos mais próximos acham que ele perdeu a bússola que o fazia antecipar racionalmente os resultados de suas ações. Perdido, o mandarim do Congresso exercitou o seu direito de escolher o próprio caminho para o inferno. Com atraso, Renan descobriu que o Supremo Tribunal Federal (STF) tirou da gaveta, depois de três anos, uma denúncia em que Renan é acusado de bancar as despesas de uma filha que teve fora do casamento com dinheiro da empreiteira Mendes Júnior. O STF, agora presidido por Cármen Lúcia, definirá nos próximos dias a data de julgamento da denúncia longeva. O Brasil pode estar mudando, a nova presidente do Supremo trata Renan como um ‘senadorzeco’ qualquer.




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