No ano passado, uma psicóloga, moradora do bairro, chegou a dizer em entrevista que era contra o metrô para evitar que "gente diferenciada" frequentasse Higienópolis.
A decisão do governo paulista, aliada às manifestações dos moradores do bairro, provocou uma onda de protestos irônicos em redes sociais da internet.
O principal deles foi um convite aos usuários do Facebook para o "Churrascão da Gente Diferenciada", uma iniciativa que até ontem à noite já contava com a adesão de 18.989 internautas, 12 vezes mais do que o número de moradores que assinaram o abaixo assinado contra a estação do metrô.
O churrasco será realizado em frente ao Shopping Higienópolis, coração do bairro, onde vivem políticos, artistas, intelectuais e empresários.
A convocação para o churrasco foi feita com bom humor: "Como nosso bom senso não é o forte, promoveremos agora um churrascão em frente ao shopping Higienópolis para mostrar que os ricos não chegam aos pobres, mas os pobres, sim, facilmente chegam aos ricos. Leve farofa, carne de gato, cachorro, papagaio, som portátil, carro tunado e tudo o que sua consciência social permitir. Afinal, a rua é pública, e o Higienópolis não está separado por muros. Não se esqueçam dos sacos de lixo. Somos diferenciados, mas somos limpinhos".
A estação de Higienópolis integraria a linha 6-Laranja, em Brasilândia, na periferia da cidade, ao centro. Passaria por bairros como Perdizes, Santa Cecília e Pompeia. Com a decisão, o governo avaliou que a melhor opção é construir uma estação ao lado do estádio do Pacaembu. A mudança de endereço colocou os dois bairros — Pacaembu e Higienópolis — em pé de guerra.
Para a associação de moradores de Higienópolis, o bom senso prevaleceu. Já para os representantes de Pacaembu, a desistência do governo, sem uma análise prévia de demanda, é "perniciosa".
Para a Companhia do Metrô, a mudança teve como principal objetivo o "melhor equilíbrio" na distribuição das estações.
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